Sumário — 7 seções

Documento de trabalho · circulação restrita

O que entendemos do HCA, e o que propomos construir

O que estamos pensando, o fluxo que enxergamos e quem faz o quê. Feito para ser conferido em minutos e corrigido por áudio — não é um questionário.

Atrio+ · Gestão de Dispositivos Implantáveis
Instituto de Computação da UFAL
Hospital do Coração Alagoano Prof. Adib Jatene · agosto de 2026

27perguntas que vocês responderam
7documentos lidos campo a campo
12afirmações para vocês conferirem
3coisas que precisamos de vocês

Se você só tiver cinco minutos

Vocês responderam 27 perguntas e nos enviaram os formulários que usam no dia a dia. Lemos tudo e refizemos o projeto em cima do que aprendemos. Este documento mostra o que estamos pensando — para vocês validarem a direção antes de a primeira versão começar a ser construída.

A proposta, em três frases. Começar pelo setor de OPME — substituir a planilha de lote e validade por um sistema com alerta, e fazer o registro do implante gerar sozinho a Informação de Uso de Material que hoje é digitada à mão. Depois, o acompanhamento dos pacientes ao longo dos anos, que é onde vocês disseram que dói mais. O resto vem em seguida, e está descrito aqui.

Como responder. Cada item tem um número. Basta dizer "no 1.4 não é assim" — por áudio, por mensagem, do jeito mais rápido. Os dados são de vocês, e nós só temos o que vocês nos enviaram: por isso cada afirmação diz de onde veio, e só vocês podem apontar onde erramos.

  1. As 12 afirmações estão certas? Basta apontar as furadas, pelo número.
  2. A ordem das etapas faz sentido? Propomos começar pelo estoque e pelo registro. Se a prioridade de vocês for outra, esta é a hora.
  3. Podemos passar um dia no hospital? Três conversas: OPME, centro cirúrgico e quem cuida do agendamento e do retorno.

O fluxo, do lote ao acompanhamento

É assim que enxergamos o caminho do dispositivo dentro do HCA — e o que o sistema faz em cada passo.

1Entrada no estoqueO dispositivo chega da rede estadual com lote, validade e referência. A partir daí tem identidade própria no sistema.
2SeparaçãoO mapa cirúrgico indica o que está agendado; o sistema sugere o material pelo procedimento e o OPME confirma.
3Registro na salaO que foi realmente usado é capturado durante o procedimento, apontando a câmera do tablet para o código da embalagem — sem equipamento extra. Inclusive o que foi aberto e não implantado.
4Fechamento pelo OPMEO setor confere e fecha. O sistema gera a IUM preenchida e o pacote de evidência para o faturamento.
5Cartão do portadorO paciente recebe um cartão com QR que reúne todos os aparelhos que já teve — hoje ele recebe um de cada fabricante, em formato diferente.
6EmergênciaQuem socorrer esse paciente em qualquer lugar do país aponta o celular e vê o que ele tem e se pode entrar numa ressonância.
7AcompanhamentoO sistema sabe quem precisa voltar e quando, quem está atrasado e quem sumiu — e mede a taxa que hoje ninguém mede.
8RecallQuando um fabricante avisa que um lote tem defeito, a lista de quem está com aquele lote sai em segundos, com contato.
Por que ler o código de barras, e não digitar

Lendo os formulários, vimos que a IUM não tem coluna para o número de série do aparelho — ou seja, hoje ele não é capturado em lugar nenhum. É esse número que responde "quem está com este dispositivo" quando um fabricante emite um recall. O passo 3 existe para capturar o que o papel não consegue registrar.

Quem faz o quê

Sete papéis dentro do hospital, mais o paciente. Para cada um, o que o sistema muda — construído a partir do que vocês descreveram.

Setor de OPME Dono do fluxo

Controla estoque, lote e validade — hoje numa planilha, sem alerta. Separa o material do dia e é quem fecha cada registro. A primeira tela do sistema é dele: estoque com alerta de vencimento e o fechamento que gera a IUM pronta.

Médico executante Parte clínica

Registra a parte clínica e valida o registro do implante. Passa a validar na tela o que hoje assina no papel — sem digitar dado técnico de dispositivo.

Enfermagem do centro cirúrgico Registro na sala

Complementa o registro durante o procedimento: captura o material pela câmera do tablet da sala, apontada para o código da embalagem — inclusive o que foi aberto e não usado. Se a leitura falhar, digita.

Técnico da empresa Dados técnicos

Complementa os dados técnicos do dispositivo. Nem sempre é do fabricante — pode ser de empresa fornecedora — e a credencial dele no sistema aponta para os dois.

Responsável administrativo Conferência

Confere e consolida o documento depois da validação do médico. Deduzimos que essa pessoa existe pelo campo da IUM — se existe, precisa existir no sistema também. É a afirmação 1.4, a que mais precisamos que vocês confiram.

◐ Nós deduzimos
Faturamento Fecha o ciclo

Recebe o pacote de evidência já montado — o que foi usado, de que lote, por quem, quando — em vez de reconstruir isso à mão a partir do papel.

Agendamento e retorno O paciente ao longo do tempo

Vê quem precisa voltar e quando, quem está atrasado e quem sumiu. A perda de seguimento — que vocês estimam perto de 10% e hoje não conseguem medir — passa a ser um número.

Paciente Portador

Sai com um cartão único com QR, com todos os aparelhos que já teve — no lugar de um cartão de cada fabricante. Quem o socorrer em qualquer lugar vê o que ele tem.

As 12 afirmações para vocês conferirem

Uma linha cada. É o nosso entendimento do processo — o que passar errado aqui vira sistema errado depois, e corrigir agora custa uma frase.

● Vocês disseramVeio de uma resposta ou de um documento de vocês. Confira de passagem.
◐ Nós deduzimosÉ onde erramos com mais facilidade. São as que pedem sua atenção.

Quem faz o quê

1.1

O dono do fluxo do dispositivo é o setor de OPME. O médico registra a parte clínica; o OPME preenche os dados técnicos e fecha.

1.2

O registro se materializa na Informação de Uso de Material. Nas respostas apareceu como "CUNC"; se dentro do hospital ela tem outro nome corrente, usamos o de vocês.

1.3

O registro se fecha no ato do faturamento — é o último elo da cadeia.

1.4

Entre o médico e o faturamento existe um conferente administrativo. Deduzido do campo RESPONSÁVEL ADMINISTRATIVO da IUM. Pode ser que o campo exista e ninguém preencha — é a dedução mais arriscada do documento.

Estoque e material

1.5

O estoque é próprio, não consignado, e vem da rede estadual — solicitação pelo Almoxarifado Central, entrada no GestHosp Farmácia.

1.6

O controle de lote e validade é rigoroso e vive numa planilha, sem alerta automático de vencimento. Cerca de 15 a 20 unidades por mês.

1.7

Quem separa o material sabe de cabeça o que cada procedimento consome. O mapa cirúrgico não tem coluna de material — se for isso, esse conhecimento vira um modelo de kit por procedimento no sistema.

O paciente ao longo do tempo

1.8

O acompanhamento é de 7 a 30 dias, depois 3 a 6 meses, depois anual, variando conforme a indicação clínica.

1.9

Cerca de 10% dos pacientes somem do acompanhamento, e hoje não há como medir. O primeiro ganho é passar a saber o número real.

1.10

O paciente é identificado pelo número de registro do prontuário, não pelo CNS. O CNS não aparece em nenhum dos sete documentos — no sistema ele passou a ser opcional.

1.11

São três termos de consentimento diferentes, não um. O sistema registra que o termo foi colhido, por tipo e versão — não digitaliza o formulário.

1.12

Três grupos de fabricantes atuam aí — Abbott, Medtronic e Biotronik — e o técnico de sala nem sempre é do fabricante.

Cada afirmação tem uma justificativa por extenso — de onde veio e o que mudou no projeto. Está conosco; se quiserem esse nível de detalhe, mandamos junto.

Por onde começamos, e o que vem depois

A decisão que precisamos validar

Propomos começar pelo estoque e pelo registro, não pelo acompanhamento — mesmo vocês tendo dito que a urgência maior está lá. O acompanhamento depende de um cadastro confiável de quem foi implantado e com o quê, e é o registro que produz esse cadastro. Se vocês enxergarem diferente, esta é a hora de dizer.

Primeira etapa · Estoque e registroPiloto
  • Estoque com lote, validade e saldo, com alerta de vencimento — substitui a planilha
  • Registro do implante na sala, pela câmera do tablet
  • Geração automática da IUM e o pacote de evidência para o faturamento
  • Cartão do portador e página de emergência

O que essa etapa prova: se o OPME consegue abandonar a planilha, e se a IUM gerada pelo sistema é aceita pelo faturamento do jeito que sai.

Segunda etapa · O paciente ao longo do tempoMVP
  • Acompanhamento com a cadência de vocês, configurável
  • Quem está atrasado, quem sumiu, e a taxa de perda de seguimento medida
  • Pendência documental e fila ligada à disponibilidade de material

O que essa etapa prova: se o hospital consegue reduzir a perda de seguimento agora que ela é visível.

Terceira etapa · Fora dos murosv1
  • Envio do registro estruturado ao prontuário eletrônico
  • Portal do paciente e relatórios de gestão para a direção
  • Outros hospitais da rede, cada um com seus próprios dados

O que essa etapa prova: se o modelo funciona fora do hospital de origem — a pergunta que interessa à rede estadual.

Sobre integrações — sendo diretos

  • GestHosp prontuário: porta aberta. Vocês demonstraram interesse em receber os dados do Atrio+ — está no plano desde o começo, na direção do Atrio+ para o prontuário
  • GestHosp Farmácia e PAX: parede, por enquanto. Não expõem interface para outros sistemas. Preferimos conviver com isso a prometer integração que não existe
  • Almoxarifado Central: ainda não mapeamos. Assunto para a visita

Sobre prazos: combinamos as datas depois que vocês conferirem as afirmações e confirmarem a ordem acima. Prazo dado antes de o escopo estar acordado não vale para nenhum dos dois lados.

O que o Atrio+ não vai fazer

Por decisão, não por esquecimento — sistema que promete tudo costuma atrapalhar o que já funciona, e muita coisa aí já funciona.

  • Não é prontuário eletrônico e não substitui o que vocês usam
  • Não guarda evolução clínica, prescrição nem documento assinado
  • Não processa pagamento nem compra, e não opera logística
  • Não substitui o agendamento cirúrgico — o Atrio+ lê o mapa, não o refaz
  • Não muda nenhum processo que já funcione: a intenção é que os documentos que vocês já preenchem passem a sair prontos

O que precisamos de vocês

  1. Que corrijam as 12 afirmações. Só as erradas, pelo número, do jeito mais rápido para vocês. Cada correção agora custa uma frase; o que passar batido vira sistema errado depois.
  2. Que confirmem ou mudem a ordem das etapas. É a decisão que define o que construímos primeiro — e destrava o início da primeira versão.
  3. Que nos deixem passar um dia no hospital. Nenhuma das conversas é apresentação — é para ver e ouvir:
    • Setor de OPME — a IUM do começo ao fim, a planilha, e uma pergunta que os documentos levantaram: quando um material é aberto e não usado, como isso é lançado e como o faturamento sabe a diferença?
    • Centro cirúrgico — acompanhar um procedimento, se possível
    • Agendamento e retorno — quem cuida da fila, da regulação e do pós-alta

    E meia hora com alguém da TI, para entender as versões do GestHosp e do PAX.

Uma última coisa, que é honestidade e não formalidade

Vocês responderam 27 perguntas e mandaram os documentos que usam todo dia. Isso não é comum, e é a razão de este documento existir. Se em algum ponto entendemos errado, é porque deduzimos demais — não por falta do que vocês deram.