Sumário — 12 seções

Proposta de produto · versão para alinhamento

Do estoque ao acompanhamento: o ciclo do dispositivo implantável numa plataforma que o hospital opera

O que estamos propondo, os benefícios, os fluxos e telas de exemplo — para o HCA validar a direção antes da conversa com o cirurgião. Tudo aqui é proposta, não versão final.

Atrio+ · Gestão de Dispositivos Implantáveis
Instituto de Computação da UFAL
Hospital do Coração Alagoano Prof. Adib Jatene · agosto de 2026

27perguntas que vocês responderam
7documentos lidos campo a campo
6casos de uso para conferir
4telas de exemplo — não finais

Para a reunião de hoje

Alinhamento interno: ouvir o que vocês acharam do material enviado e validar o direcionamento da proposta antes da reunião de quinta, que terá um cirurgião cardíaco na mesa. Nada aqui é decisão fechada — é o que estamos pensando, para ser corrigido.

  1. A proposta e os benefícios estão na linguagem certa para o hospital? Seções 1 e 2. O que soa promessa vazia, e o que faltou?
  2. Os casos de uso são os que doem? Seção 4 — seis situações reais. Quais acontecem, quais não, e qual está faltando.
  3. Das telas de exemplo, o que está longe da realidade? Seção 5. São rascunhos para provocar a conversa, não a versão final.
Hoje · alinhamento com a direção
  • Feedback sobre o material enviado
  • Validação da direção: proposta, benefícios, ordem das etapas
  • O que levar para quinta — e o que deixar de fora
Quinta · com o cirurgião cardíaco
  • O que acontece na sala quando algo foge do previsto — e como se registra
  • Material aberto e não usado: como é lançado hoje
  • Cadência de retorno por indicação clínica
  • O que uma equipe de emergência precisa ver na página do QR (ressonância, eletrodos)
  • A leitura dele da tela de registro na sala
1

A proposta, em três promessas

O Atrio+ acompanha o dispositivo implantável do lote ao retorno do paciente — e os documentos que o hospital já preenche passam a sair prontos.

01 Nada vence na prateleira sem aviso

Estoque com lote, validade e saldo, com alerta antes do vencimento. Substitui a planilha que hoje depende da atenção de quem a mantém.

02 Todo implante registrado na sala, com número de série

Leitura do código da embalagem pela câmera do tablet. A Informação de Uso de Material sai gerada — e o faturamento recebe a evidência pronta.

03 Nenhum paciente some sem que alguém saiba

Cartão único do portador, página de emergência por QR e acompanhamento que mostra quem precisa voltar, quem atrasou e quem sumiu — medindo o que hoje ninguém mede.

O que a plataforma é, e o que não é

É a camada que falta entre o estoque, a sala e o retorno do paciente. Não é prontuário eletrônico e não substitui nenhum sistema que já funcione — conversa com eles onde houver porta aberta (seção 7).

2

O que muda, para quem

Construído a partir do que vocês nos contaram — as 27 respostas e os sete documentos. Onde há número, é o número de vocês.

Direção administrativa Gestão e resposta institucional
  • Material vencido deixa de ser surpresa: alerta antes, e o que foi aberto e não usado vira número
  • Evidência pronta para faturamento e auditoria — o quê, de que lote, por quem, quando
  • Um número que hoje não existe: a perda de seguimento real (vocês estimam perto de 10%)
  • Resposta a recall em minutos, não em dias de busca em papel
Equipes OPME · centro cirúrgico · faturamento
  • OPME abandona a planilha e para de digitar a IUM à mão
  • Na sala: apontar a câmera, confirmar, seguir — sem equipamento extra
  • Fechamento pelo OPME com um passo; faturamento recebe o pacote montado
  • Pendência documental deixa de ser memória de uma pessoa
Paciente Portador do dispositivo
  • Um cartão único, no lugar de um por fabricante
  • Em qualquer emergência do país, quem o socorre vê o que ele tem e se pode entrar numa ressonância
  • Lembrete do retorno na cadência que o hospital definir
Rede estadual Possibilidade, não compromisso
  • Registro estruturado do implante enviado ao prontuário da rede, onde houver porta aberta
  • Multi-hospital desde a primeira linha: cada unidade enxerga só os seus dados
  • Pronto para a identificação única de dispositivos (UDI) que a ANVISA está trazendo por norma
3

Como funciona, do lote ao acompanhamento

Oito passos. É assim que enxergamos o caminho do dispositivo dentro do HCA — e o que a plataforma faz em cada um.

1Entrada no estoqueO dispositivo chega da rede estadual com lote, validade e referência. A partir daí tem identidade própria.
2SeparaçãoO mapa cirúrgico indica o agendado; o sistema sugere o material pelo procedimento e o OPME confirma.
3Registro na salaO que foi realmente usado é capturado apontando a câmera do tablet para o código da embalagem — inclusive o aberto e não implantado.
4Fechamento pelo OPMEO setor confere e fecha. Sai a IUM preenchida e o pacote de evidência para o faturamento.
5Cartão do portadorO paciente recebe um cartão com QR que reúne todos os aparelhos que já teve.
6EmergênciaQuem socorrer esse paciente aponta o celular e vê o que ele tem e se pode entrar numa ressonância.
7AcompanhamentoQuem precisa voltar e quando, quem está atrasado e quem sumiu — a taxa que hoje ninguém mede.
8RecallUm fabricante avisa que um lote tem defeito: a lista de quem está com aquele lote sai em segundos, com contato.
Por que a câmera, e não digitar

A IUM em papel não tem coluna para o número de série do aparelho — hoje ele não é capturado em lugar nenhum. É esse número que responde "quem está com este dispositivo" quando o fabricante emite um recall. O passo 3 captura o que o papel não consegue.

4

Seis situações reais

Como é hoje, pelo que vocês descreveram, e como fica. Diga quais acontecem, quais não, e qual está faltando.

O fabricante emite recall de um lote

Procurar em IUMs de papel e na planilha quem recebeu aquele lote — sem número de série, sem certeza, ao longo de dias.

A lista de portadores daquele lote sai em segundos, com contato e data do implante, pronta para o hospital agir.

O paciente chega a uma emergência em outro estado

Leva o cartão de um fabricante, ou nenhum. A equipe não sabe o que ele tem, nem se pode fazer ressonância.

O socorrista aponta o celular para o QR do cartão e vê o dispositivo, os eletrodos, a compatibilidade com ressonância e o hospital de origem.

Um eletrodo vence em 30 dias

Depende de alguém olhar a planilha na hora certa. Estoque de 15 a 20 unidades por mês, controle rigoroso, sem alerta.

Alerta a 30, 15 e 7 dias; o sistema sugere usar primeiro o que vence primeiro na separação do material.

O paciente não voltou ao retorno de 6 meses

Ninguém sabe quem não voltou. Cerca de 10% somem do acompanhamento, com risco de morte súbita — e não há como medir.

Lista de atrasados por cadência, contato registrado, e a perda de seguimento vira um número mensal que dá para reduzir.

O faturamento pede a evidência do procedimento

A IUM é digitada à mão, sem número de série e sem distinguir o implantado do aberto e não usado.

A IUM sai gerada do registro da sala, com o pacote de evidência anexo: o quê, lote, série, quem, quando.

Um material é aberto e não usado

Não há onde anotar: entra na IUM igual ao implantado. Quanto material caro se perde assim é um dado que não existe.

Registrado na sala com o desfecho — implantado, aberto e não usado, devolvido — e vira indicador para a direção.

5

Telas de exemplo

Rascunho · não é a versão final

Quatro telas desenhadas para provocar a conversa — layout, dados e textos são ilustrativos (dados fictícios). O que vale é dizer o que está longe da realidade de vocês.

atrio · estoque · DCEI
Estoque de dispositivosOPME · hoje
18unidades em saldo
3vencem em 30 dias
11lotes ativos
ItemLoteValidadeSaldoStatus
Gerador MP bicameralL441905/09/20262vence em 12 d
Eletrodo atrial 52 cmE220721/09/20261vence em 28 d
Eletrodo ventricular 58 cmE223103/20274ok
Gerador CDI dupla câmaraC118011/20273ok
Introdutor 7 FI904208/20278ok

Tela A · Estoque do OPME. O que substitui a planilha: lote, validade, saldo e o alerta que hoje não existe.

exemplo
atrio · sala 2 · registro do implante
1 paciente ✓2 dispositivo3 equipe4 desfecho5 confirmar

Aponte a câmera para o código da embalagem

Modelo
Gerador MP bicameral · ref. 5826
Nº de série
PZK 731 044 A
Lote
L4419 · validade 05/09/2026
Fabricante
lido do código · técnico da empresa X
Confirmar dispositivoDigitar manualmente

Tela B · Registro na sala. Tablet compartilhado, câmera aberta; quem confirma assume a autoria com um PIN pessoal. Sem leitor dedicado.

exemplo
atrio · cartão do portador · c/… (QR)
Portador de dispositivo cardíaco implantável
Marca-passo bicameral
implantado em 08/2026 · HCA
emergência: aponte a câmera →
Página de emergência · sem login
Dispositivo cardíaco implantado
Tipo
Marca-passo bicameral
Eletrodos
2 (atrial, ventricular)
Ressonância
condicional
Origem
HCA · Maceió
Contato
(82) 3315-0000

Tela C · Cartão único e página de emergência. Um cartão no lugar de um por fabricante; o QR abre o mínimo que um socorrista precisa, em qualquer lugar.

exemplo
atrio · acompanhamento
Retornosagosto · 2026
Em dia · 132Atrasados · 14Sem contato · 9
RegistroRetornoAtrasoContato
004216 meses18 dias2 tentativas
00388anual41 diassem resposta
0051230 dias6 diasremarcado
00297anual63 diassem resposta
6,1%perda de seguimento no período — número ilustrativo; hoje o real é desconhecido

Tela D · Acompanhamento. Quem precisa voltar, quem atrasou, quem sumiu — e a taxa que passa a existir.

exemplo
6

Quem faz o quê

Sete papéis dentro do hospital, mais o paciente. Para cada um, o que muda.

Setor de OPMEDono do fluxo

Controla estoque, lote e validade — hoje numa planilha. Separa o material do dia e fecha cada registro. A primeira tela é dele.

Médico executanteParte clínica

Registra a parte clínica e valida o registro. Passa a validar na tela o que hoje assina no papel — sem digitar dado técnico.

Enfermagem do centro cirúrgicoRegistro na sala

Captura o material pela câmera do tablet da sala, apontada para o código da embalagem — inclusive o aberto e não usado. Se a leitura falhar, digita.

Técnico da empresaDados técnicos

Complementa os dados do dispositivo. Nem sempre é do fabricante — pode ser de fornecedora — e a credencial aponta para os dois.

Responsável administrativoConferência

Confere e consolida depois do médico. Deduzimos que existe pelo campo da IUM — é a afirmação 1.4, a que mais precisamos conferir.

◐ Nós deduzimos
FaturamentoFecha o ciclo

Recebe o pacote de evidência já montado — o quê, lote, série, quem, quando — em vez de reconstruir à mão a partir do papel.

Agendamento e retornoO paciente ao longo do tempo

Vê quem precisa voltar e quando, quem atrasou e quem sumiu. A perda de seguimento passa a ser um número.

PacientePortador

Sai com um cartão único com QR. Quem o socorrer em qualquer lugar vê o que ele tem e se pode entrar numa ressonância.

7

Integrações: agora, possíveis e futuras

Vocês contaram o que existe; fomos verificar o que é possível de fato. Preferimos declarar as paredes agora a prometer integração que não existe.

No piloto e porta aberta
  • Leitura do código GS1 da embalagemPela câmera do tablet, desde a primeira versão. Lote, série e validade num só código.
  • IUM gerada pelo sistemaSai preenchida, em PDF, no formato que o faturamento já conhece.
  • GestHosp prontuárioVocês demonstraram interesse em receber os dados. Direção: do Atrio+ para o prontuário.
Parede ou a mapear
  • GestHosp FarmáciaNão expõe interface para outros sistemas. Convivemos com importação manual do estoque no começo.
  • PAX (imagem)Interface privada, sem exportação. A imagem fica onde está; o Atrio+ aponta, não copia.
  • Almoxarifado Central / SESAUFluxo de solicitação ainda não mapeado — assunto para a visita.
8

Por onde começamos, e o que vem depois

A decisão que precisamos validar

Propomos começar pelo estoque e pelo registro, não pelo acompanhamento — mesmo a urgência maior estando lá. O acompanhamento depende de um cadastro confiável de quem foi implantado e com o quê, e é o registro que produz esse cadastro. Se vocês enxergarem diferente, esta é a hora de dizer.

Primeira etapa · Estoque e registroPiloto
  • Estoque com lote, validade e saldo, com alerta de vencimento — substitui a planilha
  • Registro do implante na sala, pela câmera do tablet
  • Geração automática da IUM e o pacote de evidência para o faturamento
  • Cartão do portador e página de emergência

O que essa etapa prova: se o OPME consegue abandonar a planilha, e se a IUM gerada é aceita pelo faturamento do jeito que sai.

Segunda etapa · O paciente ao longo do tempoMVP
  • Acompanhamento com a cadência de vocês, configurável
  • Quem está atrasado, quem sumiu, e a taxa de perda de seguimento medida
  • Pendência documental e fila ligada à disponibilidade de material

O que essa etapa prova: se o hospital consegue reduzir a perda de seguimento agora que ela é visível.

Terceira etapa · Fora dos murosv1
  • Envio do registro estruturado ao prontuário eletrônico
  • Portal do paciente e relatórios de gestão para a direção
  • Outros hospitais da rede, cada um com seus próprios dados

O que essa etapa prova: se o modelo funciona fora do hospital de origem — a pergunta que interessa à rede estadual.

Sobre prazos: combinamos as datas depois que a direção for validada e as afirmações da seção 10 conferidas. Prazo dado antes de o escopo estar acordado não vale para nenhum dos dois lados.

9

O que o Atrio+ não vai fazer

Por decisão, não por esquecimento — sistema que promete tudo costuma atrapalhar o que já funciona, e muita coisa aí já funciona.

  • Não é prontuário eletrônico e não substitui o que vocês usam
  • Não guarda evolução clínica, prescrição nem documento assinado
  • Não processa pagamento nem compra, e não opera logística
  • Não substitui o agendamento cirúrgico — lê o mapa, não o refaz
  • Não muda nenhum processo que já funcione: a intenção é que os documentos que vocês já preenchem passem a sair prontos
10

As 12 afirmações para conferir

O nosso entendimento do processo, uma linha cada. Respondam pelo número — "no 1.4 não é assim" resolve. O que passar errado aqui vira sistema errado depois.

● Vocês disseramVeio de uma resposta ou de um documento de vocês. Confira de passagem.
◐ Nós deduzimosÉ onde erramos com mais facilidade. São as que pedem sua atenção.

Quem faz o quê

1.1

O dono do fluxo do dispositivo é o setor de OPME. O médico registra a parte clínica; o OPME preenche os dados técnicos e fecha.

1.2

O registro se materializa na Informação de Uso de Material. Nas respostas apareceu como "CUNC"; se tem outro nome corrente, usamos o de vocês.

1.3

O registro se fecha no ato do faturamento — é o último elo da cadeia.

1.4

Entre o médico e o faturamento existe um conferente administrativo. Deduzido do campo RESPONSÁVEL ADMINISTRATIVO da IUM. Pode ser que o campo exista e ninguém preencha.

Estoque e material

1.5

O estoque é próprio, não consignado, e vem da rede estadual — solicitação pelo Almoxarifado Central, entrada no GestHosp Farmácia.

1.6

O controle de lote e validade é rigoroso e vive numa planilha, sem alerta automático. Cerca de 15 a 20 unidades por mês.

1.7

Quem separa o material sabe de cabeça o que cada procedimento consome. O mapa cirúrgico não tem coluna de material — se for isso, esse conhecimento vira um modelo de kit por procedimento.

O paciente ao longo do tempo

1.8

O acompanhamento é de 7 a 30 dias, depois 3 a 6 meses, depois anual, variando conforme a indicação clínica.

1.9

Cerca de 10% dos pacientes somem do acompanhamento, e hoje não há como medir. O primeiro ganho é saber o número real.

1.10

O paciente é identificado pelo número de registro do prontuário, não pelo CNS. O CNS não aparece em nenhum dos sete documentos — no sistema passou a ser opcional.

1.11

São três termos de consentimento diferentes, não um. O sistema registra que o termo foi colhido, por tipo e versão — não digitaliza o formulário.

1.12

Três grupos de fabricantes atuam aí — Abbott, Medtronic e Biotronik — e o técnico de sala nem sempre é do fabricante.

11

O que precisamos de vocês

  1. Hoje: o feedback sobre a direção. Proposta, benefícios, casos de uso e telas — o que está certo, o que está longe, o que faltou. É o que define o que levamos para quinta.
  2. Que corrijam as 12 afirmações e confirmem a ordem das etapas. Pelo número, do jeito mais rápido. É a decisão que define o que construímos primeiro.
  3. Um dia dentro do hospital. Nenhuma das conversas é apresentação — é para ver e ouvir:
    • Setor de OPME — a IUM do começo ao fim, a planilha, e o que é aberto e não usado
    • Centro cirúrgico — acompanhar um procedimento, se possível
    • Agendamento e retorno — quem cuida da fila, da regulação e do pós-alta

    E meia hora com alguém da TI, para entender as versões do GestHosp e do PAX.

Uma última coisa, que é honestidade e não formalidade

Vocês responderam 27 perguntas e mandaram os documentos que usam todo dia. Isso não é comum, e é a razão de este material existir. Se em algum ponto entendemos errado, é porque deduzimos demais — não por falta do que vocês deram.